sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Fim de Ciclo
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Encontro de 23 de outubro: a meditação natural e ininterrupta
O texto base para a prática desta semana é o Shiva-sūtra, 3.27, que trata da descrição da consciência do yogue. Algumas sugestões são dadas com o intuito de proporcionar o estado de presença e de atenção. Dentre elas, a sincronização da atividade respiratória com o pulsar do universo. Faz-se tal ato por meio da percepção do mantra que é entoado espontaneamente a cada instante em que a vida se manifesta: o mantra Haṁsaḥ.
O material de apoio, com as traduções, pode ser visto em:
http://www.om.pro.br/grupodeestudos/estudosdeyoga-23102009.pdf
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Encontro de 16 de outubro de 2009 - A integração do denso, sutil e transcendente
O atual ciclo de estudos percorre algumas das práticas meditativas sugeridas pela tradição tântrica do Shivaísmo da Caxemira.
Realizamos duas práticas baseadas no reconhecimento de que estamos situados simultaneamente nos níveis denso, sutil e transcendente. O sūtra 4 do Shiva-sūtra, com o comentário de Kṣemarāja, foi a base de nosso estudo e prática meditativa.
O material de apoio, com as traduções, pode ser visto em:
http://www.om.pro.br/grupodeestudos/estudosdeyoga-16102009.pdf
sábado, 10 de outubro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O relato da revelação dos Sutras de Śiva
Sobre a origem do Śiva-sūtra, consta o seguinte relato na introdução da Spanda-kārikā:Eis que aqui, neste mundo, o excelso preceptor Vasugupta, a quem a grandiosidade [divina] foi revelada por meio da união com o super-supremo Śiva, que visa a instrução de todos, recebeu uma orientação da vontade do Venerável, durante um sonho, vinda da montanha do grande deus e encontrou os sūtras de Śiva, mais do que secretos, grafados sobre o grande monte. Ele reuniu e apresentou os cinquenta e um versos sob uma unidade que demonstra uma experiência direta dos āgamas, com profundidade e com clareza.
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iha hi viśvānujighṛkṣāparaparamaśivāveśonmīlitamahimā śrīmānvasuguptācaryo mahādevaparvatād bhagavadicchayaiva svapnopalabdhopadeśaḥ mahāśilātalollikhitāny atirahasyāni śivasūtrāṇy āsādya prasannagambhīrair ekapañcāśatā ślokair āgamānubhavopapattyaikīkāraṁ pradarśayan saṁgṛhītavān |
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Encontro do dia 28 de agosto de 2009 (guṇa e ahaṁkāra)
Uma teoria do conhecimento tem a finalidade de produzir um método de observação de nossa própria capacidade de observação. Discute-se quais são os limites possíveis do conhecimento humano. A consciência limitada pela individualidade teria capacidade para conceber o absoluto? A filosofia do sāṁkhya propõe um caminho metódico para que se organize todas as formas pelas quais a totalidade da existência se manifesta. Nessa forma de agrupamento, as realidades do sujeito que apreende e a realidade dos objetos que são apreendidos são entendidas como manifestações simétricas, como formas espelhadas que foram desencadeadas por um mesmo processo. Enquanto teoria do conhecimento, o sāṁkhya entende que a mente - o aparelho cognitivo convencional - é incapaz de apreender integralmente a dinâmica da existência do cosmo do qual faz parte, pois compartilha da mesma substância - ainda que em intensidade diferente - dos elementos pertencentes ao que chamamos de mundo material (nesse sentido, é que surge o pressuposto do yoga de que é necessário desvencilhar-se da mente ordinária para que algo a mais se manifeste). Vejamos, na passagem a seguir, uma descrição das três categorias (guṇa) que modulam cada uma das formas que permitem que as individualidades subjetivas se relacionem com as formas objetivas.A partir do elemento mahat, originado no vigor do Venerável, o ahaṁkāra – como uma potência de ação (kriyāśakti) – desdobrou-se triplamente: como vaikārika (mutável), como taijasa (ardente) e como tāmasa (obscuro), que são origem do manas (mente), dos indriya (comandos/sentidos) e dos mahābhūta (elementos grandes). Ele é conhecido como Saṁkarṣaṇa, ou puruṣa composto pela mente, sentidos e elementos, considerado o infinito (ananta), que é presenciado com mil cabeças. A qualificação do ahaṁkṛti é a agência (kartṛtva), a instrumentalidade (karaṇatva) e a objetividade (kāryatva), ou as qualidades de ser pacífico (śānta), terrível (ghora) e insensível (vimūḍha). Do vaikārika, quando este se desdobra, o elemento manas foi gerado, do qual se origina o estado de desejo, a partir do vikalpa (concepção fragmentária) e do saṁkalpa (concepção integral). Ele [manas] é conhecido como Aniruddha (indomável) e, lembrando um lótus escuro outonal, é pouco-a-pouco apaziguado pelos yogues. Do taijasa, quando este se desdobra, o elemento buddhi surgiu, como um reconhecimento para aparição das coisas, isto é, uma ajuda para os sentidos, ó virtuosa! “A dúvida, o engano, a convicção, a memória, o sono” são considerados como qualificação da buddhi, de acordo com suas funções. Os sentidos taijasa são distribuídos como ação (kriya) e concepção (jñāna), a potência da ação é a do prāṇa e a potência do reconhecimento é a da buddhi.
vaikārikas taijasaś ca tāmasaś ca yato bhavaḥ |
manasaś cendriyāṇāṃ ca bhūtānāṃ mahatām api ||24|
sahasraśirasaṃ sākṣād yam anantaṃ pracakṣate |
saṅkarṣaṇākhyaṃ puruṣaṃ bhūtendriyamanomayam ||25||
kartṛtvaṃ karaṇatvaṃ ca kāryatvaṃ ceti lakṣaṇam |
śāntaghoravimūḍhatvam iti vā syād ahaṅkṛteḥ ||26||
vaikārikād vikurvāṇān manastattvam ajāyata |
yatsaṅkalpavikalpābhyāṃ vartate kāmasambhavaḥ ||27||
yad vidur hy aniruddhākhyaṃ hṛṣīkāṇām adhīśvaram |
śāradendīvaraśyāmaṃ saṃrādhyaṃ yogibhiḥ śanaiḥ ||28||
taijasāt tu vikurvāṇād buddhitattvam abhūt sati |
dravyasphuraṇavijñānam indriyāṇām anugrahaḥ ||29||
saṃśayo 'tha viparyāso niścayaḥ smṛtir eva ca |
svāpa ity ucyate buddher lakṣaṇaṃ vṛttitaḥ pṛthak ||30||
taijasānīndriyāṇy eva kriyājñānavibhāgaśaḥ |
prāṇasya hi kriyāśaktir buddher vijñānaśaktitā ||31||
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Encontro do dia 14 de agosto de 2009 (prakṛti, kāla)
Continuando o Ensinamento de Kapila, o trecho seguinte expõe a cosmologia do ponto de vista da Prakṛti.
Obs.: nessa descrição, o tempo ocupará um papel especial no questionamento acerca da existência humana. Será ele uma cirscunstância da materialidade ou será o tempo um atributo da consciência? O ensinamento de Kapila expõe que existem aqueles que dizem que o tempo é um desdobramento da materialidade e há aqueles que o concebem como a potência do divino que é responsável pelo processo que deu início a toda a criação do cosmo. A afirmação conclusiva é que o tempo é a expressão do divino nas criaturas: o divino manifesta-se internamente como consciência e externamente como o tempo. Entenda-se aí o tempo como aquele que promove a mutabilidade das formas, a transformação, o nascimento, a morte, o nascimento, a transformação, etc.
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Kapilopadeśaḥ (2.9-14)
devahūtir uvāca | prakṛter puruṣasyāpi lakṣaṇaṁ puruṣottama | brūhi kāraṇayor asya sadasac ca yadātmakam ||9||
śrībhagavān uvāca | yattriguṇam avyaktaṁ nityaṁ sadasad ātmakam | pradhānaṁ prakṛtiṁ prāhur aviśeṣaṁ viśeṣavat ||10|| pañcabhiḥ pañcabhiḥ brahma caturbhir daśabhis tathā | etac caturviṁśatikaṁ gaṇaṁ prādhānikaṁ viduḥ ||11|| mahābhūtāni pañcaiva bhūr āpo ‘gnir marun nabhaḥ | tanmātrāṇi ca tāvanti gandhādīni matāni me ||12|| indriyāṇi daśa śrotraṁ tvakdṛgrasanāsikāḥ | vāk karau caraṇau meḍhraṁ pāyur daśama ucyate ||13|| mano buddhir ahaṁkāraś cittam ity antarātmakam | caturdhā lakṣyate bhedo vṛttyā lakṣaṇarūpayā ||14|| etāvān eva saṁkhyāto brahmaṇaḥ saguṇasya ha | saṁniveśo mayā prokto yaḥ kālaḥ pañcaviṁśakaḥ ||15|| prabhāvaṁ pauruṣaṁ prāhuḥ kālam eke yato bhayam | ahaṁkāravimuḍhasya kartuḥ prakṛtim īyuṣaḥ ||16|| prakṛter guṇasāmyasya nirviśeṣasya mānavi | ceṣṭā yataḥ sa bhagavān kāla ity upalakṣitaḥ ||17|| antaḥ puruṣarūpeṇa kālarūpeṇa yo bahiḥ | samanvetyeṣa sattvānāṁ bhagavān ātmamāyayā ||18||
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O Ensinamento de Kapila
Devahūti disse:
Ó, Grande Ser (puruṣottama), fale sobre a constituição da prakṛti e também do puruṣa, sobre sua causa, sobre fenômeno, não-fenômeno e essência.
O Venerável disse:
A tríade gunádica (triguṇa) imanifesta, eterna, é fenômeno, não-fenômeno e essência, considerada como pradhāna. A prakṛti é a não diferenciação como que diferenciada. Considera-se o pradhāna, ou brahman, como um conjunto de vinte e quatro partes, composto com cinco, cinco, quatro e dez. Os mahābhūta são cinco, terra, água, fogo, ar e éter. Os tanmātra têm igual número, concebidos por mim como aroma, etc. (rasa, rūpa, tvac, śabda). Os indriya são dez: audição, tato, visão, paladar, olfato, voz, mãos, pés, pênis e ânus. Mente, intelecto, individualidade e consciência (manas, buddhi, ahaṁkāra e citta) são o antarātman, cuja divisão em quatro é percebida como forma de descrição de suas funções. Esse é o cômputo de brahman com atributos (saguṇa). Eu considero o tempo (kāla) como o vigésimo quinto aspecto. Alguns consideram o tempo (kāla) como um poder relacionado ao puruṣa, de onde provém o medo dos agentes iludidos pela individualidade e identificados com a prakṛti. O tempo (kāla) é descrito como o Venerável, do qual provém a ação sobre o equilíbrio dos atributos (guṇa) da prakṛti não diferenciada, ó humana. O Venerável, pela potência construtiva (māyā) de si próprio, é aquele que se conecta ao interior de todos os seres sob a forma do puruña e ao exterior, sob a forma do tempo (kāla).

